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ALFA - O Começo de Tudo

   Cresci em uma família com o dom de receber bem as pessoas. Meus pais sempre foram exímios anfitriões. Nunca houve quem dissesse que ficou constrangido ou acanhado em minha casa. Todos os que nela estiveram, sentiram-se tão acolhidos quanto em suas próprias casas (as vezes mais). Aquele lugar era como um grande e caloroso abraço, onde todos gostariam de voltar. Foi assim que conheci e aprendi a respeitar as diferenças de cultura, convivendo com cada pessoa sem que estas tivessem que deixar de ser elas mesmas para se adequar ao local.
   Meu pai, homem simples, honesto, de caráter inquestionável. Trabalhador. Além de viajar com as histórias de nossos hóspedes, sempre gostou de colocar os pés na estrada! Embrenhar-se em meio ao mato para acampar, pescar, esvaziar a cabeça. Por quantas vezes eu entrei em um carro com ele (perdia aulas, até) para ir a alguma cidadezinha vizinha à nossa para entregar geladeiras com ele em seu trabalho? Incontáveis! Quase consigo ouvir as músicas que passavam no toca-fitas do carro enquanto viajávamos!
   Desde muito pequena, então, quis que a estrada fosse uma constante em minha vida. Alimentei sonhos que cresceram. Queria conhecer o mundo inteiro. Curiosa, precisava entender o que as pessoas diziam em seus idiomas. Minha fome tornou-se insaciável, e os livros de história sobre civilizações, povos e culturas, alimentavam minha vontade.
   Cresci. Apenas o corpo. Dentro de mim, permaneci criança. Foi apenas uma forma de dar mais espaço para minha alma transbordar com sonhos, ideias, vontades...
   A falta de condições para realizar muitas destas coisas ao longo do tempo não me desanimaram. Na verdade, foram combustível para que eu buscasse meios de desvencilhar o medo e concretizar meus anseios.
   Sou reflexo dos exemplos que tive. Sou imagem do que eu sempre quis ser. E agora, prestes a romper as fronteiras entre "querer" e "fazer", vou em busca das histórias que desconheço, dos abraços, cidades, idiomas, pessoas.
   Não existe roteiro. Apenas o Vento Norte para me guiar. Não existe tempo, limite, planejamento. Cada passo é um universo a parte, e quero degustar cada instante. Quero demorar sempre que o coração quiser ficar. Quero partir quando ele disser que é hora. Quero caminhar.
Com a mala nas mãos, aqui vou eu!
Seja bem vindo ao mundo ao redor do meu nariz...

(Foto: Arquivo Pessoal)

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