Assim como as grandes árvores, ideias nascem de pequenas sementes. Envoltas pelo calor da terra (ou pelo fervilhar da mente), rompem limites: os seus próprios e do meio que as circunda. Mostram-se, então, pela primeira vez.
Inicialmente, pequenas e frágeis, dependem de nossa dedicação. Sementes devem ser regadas. Sonhos, alimentados. Ideias, para ganharem vida, precisam sair do papel, como folhas que vencem a terra, como o início do que será, um dia, uma frondosa árvore.
Compartilhar é multiplicar. É famoso o dizer que afirma que "sonho que se sonha junto, torna-se realidade". Dessa forma, quando permitimos que alguém sonhe conosco, eis que surge uma floresta!
Tudo isto não foi diferente: nasceu de uma sementinha; de uma luz que se ascendeu em minha mente, que começou a cultivar um jardim. As flores dele são preciosidades que lhes ofereço.
Em plena era digital, é normal encontrar inúmeras pastas cheias de fotografias, que nos acostumamos a armazenar em HD's, pendrives, cartões de memória, dentre tantos outros recursos que vieram substituir os álbuns de família ou as caixas com amontoados de fotos da infância.
Separe estes registros por destino. Em quantas cidades você já esteve? Talvez bem mais do que você imagina! Nessa brincadeira, talvez possamos cobrir o mapa! No entanto, algumas das mais belas paisagens se quer estavam em algum guia de turismo ou catálogo. Nem mesmo os sites de pesquisa na internet ofereciam informações. Lugares lindos, depois da curva num atalho pela estrada de terra, escondidos entre montanhas.
Naquele momento, decidi dividir essas aventuras e experiências, com o intuito de apresentar uma gama de possibilidades de conhecer novos lugares, sem a necessidade de rodar milhares de quilômetros, ou atravessar continentes e oceanos. A cidade ao lado, por menor que seja, guarda costumes, histórias e cultura, esperando apenas por um olhar curioso para revelarem sua riqueza.
Não faltou quem dissesse que não havia nada em suas cidades para fotografar. Não havia ponto turístico nem motivo para ir até lá. Assim como não faltaram rostos cheios de surpresa ao descobrir que moravam em lugares com muito mais do que sabiam existir. Foi mais um bom motivo para falar sobre cada cantinho: mostrar que há um infinito além do trajeto de casa para o trabalho. Enxergar exige muito mais vontade do que olhos!
Rubem Alves soube explicar. "As cidades são como seres humanos: têm um corpo e têm uma alma. [...] O corpo das cidades são as ruas, praças, carros, lojas, bancos, escritórios, fábricas, coisas materiais. A alma, ao contrário, são os pensamentos e sentimentos dos que nela moram. Há corpos perfeitos com almas feias e são como um violino Stradivarius em mãos de quem não gosta de música e não sabe tocar. Mas pode acontecer o contrário: um corpo tosco com alma bonita. Aí é como acontecia com as rabecas do querido Gramanni. Rabecas são violinos rústicos fabricados por artesãos desconhecidos. Mas o Gramanni era capaz de tocar Bach nas suas rabecas... O mesmo vale para as cidades: cidades bonitas por fora e com almas feias, cidades rústicas por fora com almas bonitas. Onde se podem encontrar as almas das cidades? Eu as encontro bonitas nas feiras, nas bancas de legumes e frutas, no mercadão, no sacolão. Esses são lugares onde acontecem reencontros felizes. Também na feira de artesanato, nos jardins onde há crianças, nos concertos... Mas ela aparece assustadora nas torcidas de futebol e no tráfego... Ah, o tráfego! É nele que a alma da cidade aparece mais nua. [...]"
Foi assim que os pés encontraram a estrada, a fim de conhecer a alma das cidades. Cada uma encantando por sua simplicidade. Não existe roteiro. A oportunidade surge, e o vento aponta a direção. Há milhares de histórias esperando para serem ouvidas. Braços abertos para acolher quem chega e abençoar quem parte. Mesas arrumadas aguardando companhia para o jantar. O que se espera é que as páginas lidas não se tornem alimento, apenas sirvam para abrir o apetite, e aguçar o desejo de conhecer e experimentar.
Quem escreve, por maior que seja o esforço, não consegue ser, de todo, imparcial. Sensações não podem ser fotografadas, assim como as belas paisagens. São individuais.
Permita-se sentir o cheiro que as fotos não trazem. Seja em um fim de semana, ou em sua hora de almoço. Questione-se: o que há para conhecer? Cidade vizinha, livro novo, restaurante diferente... Mude, por um instante, seu trajeto.
Boa viagem!






